segunda-feira, 4 de abril de 2011

A magnificação trófica


Um dos mais sérios problemas atuais é o constante acúmulo, no ambiente, de subprodutos de indústrias químicas - como chumbo e mercúrio - e de moléculas sintéticas - como plásticos, detergentes e inseticidas. Esses produtos não podem ser decompostos pelas bactérias e pelos fungos, que não possuem enzimas capazes de destruí-los ou oxidá-los. Em outras palavras, esses compostos não são biodegradáveis e, aos poucos, vão se acumulando no ambiente.

Quando ingeridos pelos seres vivos, os produtos não-biodegradáveis tendem a se concentrar ao longo das cadeias alimentares, pois não participam do metabolismo e sua eliminação é difícil.



Devido à redução da biomassa - na passagem de um nível trófico para outro - a concentração do produto tóxico vai aumentando nos organismo ao longo da cadeia. Consequentemente, os organismos dos últimos níveis tróficos acabam absorvendo doses altas dessas substâncias, prejudiciais à saúde. Esse fenômeno é conhecido como magnificação trófica.

As substâncias não-biodegradáveis são eliminadas muito lentamente através das fezes, urina ou suor. Por isso, vão aos poucos acumulando-se no organismo. Assim, se uma pessoa bebe constantemente água ou ingere algum alimento contaminado por mercúrio, esse metal pode ir se acumulando em seu corpo, ao longo da vida. Dependendo da quantidade, muitos anos depois o mercúrio acumulado, por exemplo, provocará problemas no fígado, no cérebro, nos rins ou em outros órgãos.

Na década de 1950, uma verdadeira tragédia ecológica ocorreu no Japão, depois que uma indústria lançou resíduos com mercúrio na baía de Minamata. Os peixes e moluscos foram contaminados e o mercúrio passou para a população (que se alimentava desses animais), depositando-se no sistema nervoso, no fígado e nos rins. Mais de mil pessoas morreram intoxicadas e cerca de duas mil tiveram lesões cerebrais, passando a apresentar paralisia física e distúrbios visuais.

Em certos estados do Brasil (principalmente Amazonas, Pará e Mato Grosso) uma tragédia parecida com a de Minamata pode se repetir. Os garimpos, que usam mercúrio para retirar o ouro das pedras, acabam poluindo os rios da região (rios Paraguai, Madeira, Tapajós, Xingu).

Os peixes do rio Paraguai, por exemplo, tem 60 vezes mais mercúrio em seu organismo do que o limite máximo definido pela Organização Mundial de Saúde. E o que é pior: esse mercúrio pode acabar no corpo das pessoas que se alimentam dos peixes.