sábado, 7 de janeiro de 2012

SiSU: entenda as duas grandes falhas do sistema

O novo Enem e o modo como é calculada a nota final constituem alguns erros. O principal deles é o valor desproporcional que ganha a prova de Redação, que passou a definir aprovações e reprovações. Algo feito arbitrariamente, sem critérios claros, sem direito a divulgação e revisão, o que fez do novo Enem um exame pior do que o vestibular tradicional que ele pretendia substituir.

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Porém, o SiSU que, teoricamente, iria revolucionar o modo como são selecionados os estudantes para o ensino superior criou dois grandes problemas, que podem ser resumidos em uma palavra: precipitação.

Na pressa por fazer valer o novo Enem, o governo passou por cima de várias etapas essencias para que não fossem criadas as distorções observadas: não deu tempo para que as escolas se preparassem, não deu tempo nem ajuda para que as universidades se preparassem, e o que se vê hoje são duas grandes falhas:

1 - A migração que exclui

Só para se ter um exemplo, nenhum dos aprovados em Medicina na Universidade Federal de Manaus, no último Enem, eram de Manaus. O governo não se preocupou com a melhoria da educação na região, o que poderia amenizar essa anomalia. Falou-se em modificar o peso da Redação, mas é uma medida superficial.

2 - Ponto de corte artificial

O raciocínio é simples e se aplica com perfeição ao SiSU: o bom aluno ocupa a vaga de todos os outros. Vamos dar um exemplo: em determinada universidade, o ponto de corte de Enfermagem no vestibular tradicional da instituição é 55, em 100. No Enem, através do SiSU, muitas vezes a mesma faculdade passa a ter um ponto de corte de 800 (para tirar uma nota dessa no Enem, o candidato deve ter acertado cerca de 90% das questões da prova e praticamente fechado a Redação).

A explicação pra isso é que o aluno que buscava uma vaga em Medicina e, naturalmente, estudou muito mais durante o ano, ao não conseguir atingir o ponto de corte no curso desejado, acabou migrando sua inscrição para outros da área da saúde. Longe de ser apenas um exemplo, isso é algo corriqueiro.

O resultado infeliz é que o estudante que realmente desejava uma determinada vaga, fica de fora pela inscrição de outros candidatos mais preparados que muitas vezes não fazem a matrícula e, quando fazem, acabam desistindo do curso, o que faz com que o candidato que desejava a vaga espere semanas pelas outras chamadas ou até mesmo meses pela reabertura do sistema.

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